Um astronauta americano, Chuck Backer, parte numa missão para descobrir um planeta distante. Será que está preparado para aquilo que o espera? Podem um extra-terrestre e um astronauta ser amigos? Esta super produção espanhola de animação que estreia hoje em Portugal, promete conquistar Hollywood e não só. “Planeta 51”, cuja qualidade já foi referida como sendo equivalente à dos grandes filmes de animação americanos, é um filmes dos seleccionados para o Óscar de melhor filme de animação.

Paneta 51

Este filme, realizado pelos estúdios Ilion, é a mais recente aposta espanhola dos irmãos Pérez Dolset. Nesta produção, a reacção dos habitantes do planeta 51 à chegada do capitão Chuck é um dos pontos altos da animação. Afinal quem é o alien? O capitão ou os habitantes deste planeta distante?

Em Portugal, a dobragem do “Planeta 51” esteve a cabo do estúdio de som On Air. Foram várias as caras conhecidas que participaram na versão portuguesa. Para Manuel Marques, actor que faz parte da série da RTP1 “Contemporâneos”, a experiência não foi novidade, pois é algo que o actor “gosta de fazer”: “Já faço dobragens há alguns anos. O que marcou o início da minha carreira foram as dobragens de desenhos animados para o canal Panda”. O mesmo não acontece com João Manzarra, apresentador do programa da SIC “Ídolos” e com Nuno Duarte, ou melhor Jel, o humorista do programa da SIC Radical “Vai Tudo Abaixo!”. Para ambos o mundo das dobragens tornou-se, com este filme, realidade. Manzarra refere: “Sempre tive muita curiosidade em fazer uma dobragem, como seria o processo, como funcionaria, como seria ouvir a minha voz num personagem”. Jel, que partilha do mesmo entusiasmo, diz: “Gostei muito. É um trabalho que namorava há algum tempo. Diverti-me muito”.

João Manzarra confessa que a experiência não podia ter sido mais positiva. “Agora que concretizei este trabalho, que meu deu um prazer imenso, percebi que é de facto muito mágico, não sei se é por ser a primeira vez”, conta o apresentador. “A sensação de ouvir a minha voz numa outra vida, num outro boneco é algo de mágico. Fiquei a olhar especado como se fosse um bebé a olhar para um brinquedo ou para um aquário de peixes”.

Técnicas de lado
“O essencial para o desempenho da personagem é a capacidade de a viver e de nela acreditar, tal como se uma personagem de teatro ou cinema se tratasse. O actor tem de ser a personagem e não pode limitar-se a fazer vozes”, esclarece Carlos Freixo. Jel entrou neste espírito e diz que “tentou meter-se na cabeça do personagem”.

Ora, nestes três participantes de “Planeta 51” há um ponto em comum: todos eles consideram que uma prévia preparação técnica não é algo fulcral nas dobragens. “Não tive nenhum tipo de preparação e acho que foi a melhor coisa, porque este estúdio tem uma equipa que já é muito experiente neste tipo de dobragens e orientou-me bem”, diz Jel.

Manuel Marques, que se serviu de uma experiência que já tinha, também tem uma atitude espontânea: “É chegar e fazer. Não se pode pensar muito”. E o actor adianta que “o bom de fazer dobragem é pôr a técnica de lado e sentir os personagens sem estar preocupado se se está a fazer overacting”. “Como é dentro de um estúdio podemos deitar tudo cá para fora.”

“Percebi que se procura muito a naturalidade. Mesmo as palavras que eu não dizia muito bem, ou nas quais apresentava alguma dislexia, deixava sempre passar para dar naturalidade e um pouco de mim ao personagem”, explica João Manzarra.

Os personagens não podiam ser melhores

“Foi bom terem pensado em mim, porque acho que tinha de ser mesmo eu”, afirma Jel quando questionado sobre a figura à qual deu voz. O humorista retrata o seu personagem como “um contestarário que usa a música como arma”. No filme, Jel faz a voz de Glar, um habitante do “Planeta 51” inspirado nos cantores de intervenção.

Ambos viciados em ficção científica, é o ponto em comum entre Manuel Marques e o personagem que lhe calhou. “Skiff é um viciado em ficção científica. Um rato das lojas de BD, daqueles que compram bonequinhos de plástico e os mostram em casa”, descreve o actor.

João Manzarra, que empresta voz a um dos personagens principais do filme, Leme, também considera que a escolha não podia ter sido melhor: “Gostei muito do personagem. Adequa-se perfeitamente a mim, na maneira de ser, a relação que ele tem com o trabalho, as expectativas”.

Jel revela que “foi uma experiência divertida” e conta: “Como actor foi uma experiência desafiante, estou a dar a minha voz a algo que já existe porque quando eles criaram este personagem eles não estavam a pensar em mim, nem se calhar em nehum actor, estavam a iconografrar num personagem, uma data de coisas”.

A participar em dobragens há vários anos, Manuel Marques refere que nota diferenças nesta área em Portugal. “Felizmente já há dobragem em português de Portugal. Há estúdios que já têm uma tradição de dobrar. Neste momento temos todas as condições”.

Fonte: Público