Ao fim de dois anos de existência, a Lisbon Film Orchestra estreia-se, depois de amanhã, no Norte do país, mais concretamente no Centro de Artes e Espectáculos São Mamede, em Guimarães, às 22 horas. Dias 18 e 19 toca na Aula Magna, em Lisboa.

A Lisbon Film Orchestra é a única formação portuguesa cujo repertório é inteiramente dedicado às bandas sonoras dos filmes. A ideia partiu do facto de antes não existir uma orquestra com estas características no nosso país.”Nas salas de espectáculos ouvíamos programas de música romântica, clássica, do século XIX e XX, mas nada que nos transportasse para os grandes filmes”, refere o produtor, Francisco Santiago.

Esta orquestra, que existe há dois anos, mas só realizou meia dúzia de concertos, é constituída por 90 músicos, mais de metade oriundos de quase todo o país, o que lhe traz enormes problemas logísticos: a sua subsistência é quase um milagre, pois não possui qualquer tipo de apoio.

“É muitíssimo complicado subsistir, principalmente sem qualquer tipo de patrocínio. Gerir uma orquestra desta dimensão não é fácil. Parte sobretudo da vontade dos músicos de quererem abraçar este projecto nas condições que temos, de alguma sorte e trabalho. Até à data, registamos sempre lotações esgotadas”, diz Santiago.

Depois de amanhã, a Lisbon Film Orchestra apresenta-se pela primeira vez no Norte, no Centro de Artes e Espectáculos São Mamede, em Guimarães, o que só acontece ao fim de dois anos por dificuldades económicas. É problemático deslocar e alojar 90 músicos sem apoios, daí que no concerto vimaranense a formação surja reduzida a uma orquestra de cordas de 34 elementos. Na sua plenitude, reforçada com um coro, actuará nos dias 18 e 19, na Aula Magna, em Lisboa.

A escolha do repertório não é tão fácil como à partida possa parecer, porque nem todas as partituras estão comercializadas. “É muito fácil encontrar as músicas de John Williams, do “Star wars”, do “ET”, mas de outros compositores não nos é possível porque não existem no mercado. Normalmente, mandamos vir as partituras dos Estados Unidos, mas estamos cingidos ao que existe no mercado”, esclarece Francisco Santiago.

Para preparar um programa como o que vai apresentar em Guimarães e em Lisboa, a orquestra precisa de uma semana de ensaios diários. “Mas estamos a falar de músicos altamente preparados, daí que tenham outra facilidade no domínio dos repertórios”, lembra o produtor.

Os responsáveis pelo projecto da Lisbon Film Orchestra querem acreditar num futuro risonho. “Este ano, conseguimos crescer, já que fomos convidados para o evento “Lisboa ao Parque”. Vamos agora actuar em Guimarães e depois de novo na capital. Mas, como tudo na vida, sem um apoio monetário activo é muito complicado levar isto para a frente no país em que estamos” , finaliza Francisco Santiago.

Fonte: Jornal de Notícias